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O que é o Projecto Work of Art?

O Projecto Work of Art procura ir ao encontro duma necessidade de aprendizagem crucial que beneficiará milhares de trabalhadores de museus europeus, centenas de museus nos quais exercem a sua actividade e centenas de milhares de visitantes estrangeiros que visitam esses museus todos os anos: a dificuldade na comunicação entre visitantes estrangeiros e trabalhadores dos museus.

Esta dificuldade existe porque esses trabalhadores raramente falam línguas estrangeiras, dados os seus baixos níveis de qualificação e pelo facto de raramente serem considerados para formação linguística como parte da formação profissional inicial (I-VET) ou contínua (C-VET), apesar de eles terem uma clara necessidade deste tipo de formação.

A parceria pretende, portanto, atacar este problema de frente, através do seguinte plano de trabalho:

  • análise das diferenças entre os perfis dos trabalhadores de diferentes museus europeus, os seus estilos de aprendizagem e os seus programas de formação existentes, juntamente com o seu nível actual de competências em Inglês e noutras línguas;
  • análise das suas necessidades comunicacionais em línguas estrangeiras nos museus, de forma a descobrir que tipos de interacção têm lugar para dar informações, explicar regras e fornecer instruções de segurança;
  • compilar um corpus comum de vocabulário relevante para trabalhadores neste contexto profissional, disponível em todas as línguas da parceria;
  • criar um programa de aprendizagem para este público-alvo;
  • determinar a inclusão das ferramentas TIC nesta formação;
  • deixar recomendações para o futuro a todos os agentes;
  • encorajar o uso do QECRL (Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas) como um indicador de competência linguística;
  • disponibilizar os resultados a todos os agentes europeus.

Esta parceria entre museus e entidades EFP (Ensino e Formação Profissionais) irá, por tudo isto, contribuir directamente para a melhoria da qualidade de atendimento aos visitantes nos museus da EU.

Porque é necessário este projecto?

Todos os anos, milhares de museus pela Europa fora recebem centenas de milhares de visitantes, alguns da zona mas, segundo os nossos parceiros, a maioria vem de outros países. Uma vez dentro do museu, estes visitantes compram os seus bilhetes e deslocam-se para as salas de exposições.

E em certa medida, é aqui que os problemas começam. Porque os visitantes podem, frequentemente, colocar questões ou precisar de informação (encontrar uma obra de arte ou secção de uma exposição, perguntar onde são os lavabos, encontrar a loja ou a cafetaria, encontrar a saída, perguntar se há elevadores para os pisos superiores, etc.). Mas também porque os visitantes podem, ocasionalmente, precisar de ser lembrados das regras do museu (não usar flash quando tira fotografias, não se aproximar dos quadros, não tocar nas esculturas, “por favor, deixe os seus sacos no bengaleiro”, “precisa de comprar bilhete para poder ver a exposição”, etc.). E, se o visitante não for capaz de falar a língua do país, o que acontece frequentemente em países como Portugal, Polónia e Turquia, ou o funcionário do museu não conseguir falar a língua do visitante, chegamos rapidamente a uma situação desconfortável na qual a comunicação entra em colapso, surgem mal-entendidos e a qualidade do serviço prestado pelas instituições pode ficar comprometido.

Contudo, é isto precisamente o que acontece todos os dias nos museus pela Europa fora. Os visitantes e o staff dos museus, nas salas de exposição, tentam fazer-se entender através de gestos. Porquê?

  • porque, muitas vezes, o staff, cuja tarefa é proteger as peças de arte exibidas nas salas de exposição, tem um nível muito baixo de qualificações e, habitualmente, poucas ou nenhumas competências numa língua estrangeira;
  • porque este público-alvo em particular não é, frequentemente, considerado para formação linguística apesar das suas necessidades claras e óbvias nesta área;
  • isto pode acontecer por vários motivos: porque trabalham em horários fora do comum ou por turnos, tornando-se difícil acompanhar um horário regular usualmente associado a um curso de línguas; porque em alguns museus eles não são funcionários do museu propriamente dito mas pessoal de segurança subcontratado e, assim, não incluído nos programas de formação vocacionais internos ao museu; porque eles próprios sentem que aprender uma língua é muito difícil para não dizer inacessível; porque, actualmente, estamos numa espécie de período de transição no qual os elementos mais velhos do staff, habitualmente, incumbidos destas tarefas estão a ser gradualmente substituídos por uma nova geração de trabalhadores de museu e isto está a alterar o perfil profissional do grupo-alvo.

Como consequência, na realidade, a situação continua: os próprios membros do staff do museu, cuja tarefa é não só proteger as obras de arte expostas mas também fornecer informação prática essencial e instruções aos visitantes, são normalmente incapazes de comunicar com a maioria dos visitantes dos museus.

Se adicionarmos a esta situação o facto mais premente de que estes trabalhadores são também responsáveis por fornecer informação sobre segurança e instruções e por ajudar os visitantes na evacuação dos museus em caso de emergência, então a necessidade de serem capazes de comunicar com clareza torna-se não só numa questão de qualidade de serviço mas também uma questão de segurança.

Por estes motivos, esta parceria, que é composta simultaneamente por museus e entidades EFP (Ensino e Formação Profissionais) que trabalham com eles no ensino de línguas, pretende estudar as necessidades desta população na área da aprendizagem linguística, com o objectivo de produzir uma ideia clara de como ajudá-los a aprender a língua (ou línguas) de que precisam. Neste sentido, o nosso objectivo é contribuir directamente para a melhoria no nível de serviço e eficiência fornecidos por estes trabalhadores e, simultaneamente, melhorar os níveis de serviço dos próprios museus e melhorar a capacidade das entidades EFP em fornecer programas mais eficazes para esta população-alvo.

Para ajudar a ultrapassar a dificuldade em organizar horários, tendo em conta a mudança de turnos desta população, e também, para encontrar ferramentas de formação mais acessíveis e mais atractivas adaptadas às suas necessidades, esta solução vai também analisar o nível mais viável de envolvimento das plataformas TIC neste contexto de formação, de acordo com as recomendações do Bruges Communiqué de Dezembro de 2010.

Além disso, a parceria irá estudar a possibilidade de extensão do programa de curso de modo a incluir outras funções presentes nos museus, tais como assistentes de bengaleiro, empregados das gifts shops, etc., que poderiam também beneficiar dos resultados do nosso projecto. Deste modo, o projecto irá reflectir uma realidade comum nos museus que é a transferência de pessoal de uma categoria para outra, mas sempre mantendo a capacidade de fornecer um atendimento eficaz ao cliente estrangeiro.

O que pretendemos alcançar?

A parceria propõe, portanto, criar um programa de aprendizagem linguístico para os trabalhadores do museu cuja tarefa é proteger as obras de arte expostas nas salas de exposição. Este programa irá constituir a base de uma abordagem comum à aprendizagem linguística para esta população-alvo entre os parceiros deste projecto e irá, por sua vez, trazer não só uma renovada sensibilização à necessidade de se criar programas de formação para estes trabalhadores mas também uma proposta subsequente para criação de ferramentas específicas de aprendizagem depois deste projecto terminado, que podem incluir um projecto TOI ou DOI posterior.

No âmbito do quadro do presente projecto de parceria, pretendemos atingir estes objectivos desenvolvendo as seguintes acções:

  • análise do perfil profissional destes trabalhadores nos diferentes países representados pela parceria e pelos seus silent partners: a sua categoria profissional, o seu histórico de formação educacional e vocacional;
  • comparar os diferentes perfis e encontrar necessidades e objectivos de aprendizagem linguística comuns a todos;
  • analisar, no local de trabalho, as necessidades em contexto do grupo-alvo em termos de aprendizagem linguística, através de entrevista, observação e troca informal de ideias, com  vista a estabelecer necessidades de comunicação comuns em línguas estrangeiras. Por outras palavras, que perguntas são colocadas pelos visitantes (e, consequentemente, que respostas precisa a nossa população-alvo de fornecer)? Que instruções (regras do museu, segurança, etc.) precisa a nossa população-alvo de fornecer aos visitantes? Qual é o registo de língua apropriado durante este diálogo?
  • estabelecer um corpus comum de vocabulário necessário para a comunicação  no contexto específico desta actividade profissional;
  • estabelecer o nível atual de conhecimentos da população-alvo, de acordo com o Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas;
  • criar um programa de formação de aprendizagem linguística para a população-alvo nas várias línguas dos países envolvidos na parceria, tomando em consideração o factor mencionado acima;
  • analisar, no local de trabalho,  os estilos de aprendizagem da população-alvo com vista a decidir as formas mais adequadas de apoio, materiais e instrumentos de forma a facilitar a aprendizagem, que sejam compatíveis com os seus perfis;
  • criar ou adaptar instrumentos de pesquisa apropriados de forma a produzir eficazmente estas categorias de informação;
  • elaborar um relatório final que inclua todos as conclusões do projecto e as nossas recomendações para o futuro;
  • jdisseminação dos resultados a todos os agentes interessados.

Os parceiros

Centro Europeu de Línguas (Portugal) – coordenador do Projecto
The National Museum of Krakow (Polónia)
AGH-UST (Technical University of Krakow) e-learning department (Polónia)
The Isparta Teachers’ Association (Turquia)
The University of Glasgow, English as a foreign language department (Reino Unido)
Förderband e.V. Kulturiniative (Alemanha)

Silent Partners (Parceiros passivos)

Os silent partners concordaram em contribuir para os resultados do projecto cooperando com parceiros locais na pesquisa que vai ser levada a cabo. Eles podem participar nas reuniões das parcerias locais se o desejarem, e irão receber actualizações periódicas dos resultados e das etapas do projecto, incluindo os resultados finais do estudo.

A parceira The “Work of Art” inclui os seguintes silent partners:

Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa (Portugal)
Museu das Comunicações, Lisboa (Portugal)
Museu da Igreja de São Roque, Lisboa (Portugal)
Museo Sorolla, Madrid (Spain)
The British Council, Kraków (Poland)
„Mały Rynek” Szkoła Języków Obcych, Kraków (Poland)
Muzeum Sztuki, Łódź (Poland)
Muzeum Historyczne Miasta Krakowa, Kraków (Poland)
Muzeum Mazowieckie w Płocku, Płock (Poland)
Muzeum Okręgowe w Tarnowie, Tarnów (Poland)
Muzeum Śląskie, Katowice (Poland)
Muzeum Tatrzańskie, Zakopane (Poland)
Isparta Museum, Isparta (Turkey)
The Hunterian Museum at the University of Glasgow, Glasgow (Great Britain)
The Kelvingrove Museum, Glasgow (Great Britain)
The Riverside Museum, Glasgow (Great Britain)
The Scottish Football Museum at Hampden, Glasgow (Great Britain)
Glasgow Science Centre, Glasgow (Great Britain)
Staatliche Museen zu Berlin, Berlin (Germany)
Deutsches Historiches Museum, Berlin (Germany)
Schloss Schönbrunn Kultur- und Betriebgesellschaft m.b.H., Wien (Austria)

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